LEGAL DESIGN X COMUNICAÇÃO EFICIENTE

13/08/2021

Uma comunicação eficaz é a chave para manutenção de uma boa relação, seja ela qual for, uma vez que significa que o diálogo aconteceu e que as partes envolvidas se fizeram compreender.

Nesse sentido, a ideia do legal design aliada ao visual law está sendo posta como inovadora solução no mercado jurídico, como ferramenta auxiliar as advogadas e advogados em suas comunicações.

É inegável que técnicas que possam fazer com que as pessoas, identificando com precisão seus interlocutores e o que eles desejam, são extremamente úteis e válidas para que os objetivos almejados naquela relação tenham maior chance de êxito.

Com efeito, se se está a falar de uma proposta de honorários, de um contrato, de uma petição, por exemplo, cada um deles tem uma linguagem, se insere em contextos diferentes e igualmente é, não apenas conveniente, mas absolutamente necessário entender como abordar o interlocutor de modo que não apenas as chances de êxito do seu objetivo aumentem, mas também, que a interlocutora ou interlocutor entenda a mensagem que se quer passar.

Assim, quanto mais ferramentas houver para melhorar a comunicação entre os indivíduos, em quaisquer circunstâncias, tanto melhor. E por isso não se pretende aqui afirmar que o legal design e o visual law não são importantes aliados das operadoras e operadores do Direito. Mas, são aliados, não uma mágica.

É preciso que se ligue um alerta para que o acesso e o uso dessas ferramentas não criem uma falsa ilusão de que a comunicação simples e objetiva é sinônimo de uma comunicação limitada e destituída de fundamentos.

O avanço da tecnologia trouxe junto com incontáveis facilidades uma tendência a buscar fontes rasas de informação, resultando, naturalmente, em bases rasas de reflexão¹.

Nessa esteira, nota-se, com base na experiência de mercado, não apenas dificuldade de se fazer compreender por meio de objetividade, mas também falta de lógica e vocabulário que, a par de precisar alcançar qualquer público, de modo a não ser vetusto em determinados contextos, há de ser rico.

E o que se percebe é uma economia que torna a comunicação pouco objetiva e quase sempre ineficaz. Assim, é crucial ter-se em mente que o legal design tem também como objetivo – é importante que se esclareça àquelas e àqueles que pensam que ele só de modernidade trata -, ensinar operadoras e operadores do Direito a comunicarem-se de maneira clara, lógica e objetiva e, para isso, para além de conhecer novas tecnologias e novos aplicativos, é preciso saber escrever. E só é possível aprender a escrever bem lendo e escrevendo, e muito.

Com efeito, não importa quem é o interlocutor: se são as partes do processo, o juiz, um cliente, seus professores. A objetividade e clareza estarão presentes se as ferramentas necessárias para aquela específica comunicação estiverem em nossas mãos: as palavras certas, na ordem certa e na medida certa. E quanto mais pudermos delas conhecer, melhor saberemos delas aproveitar.

Para finalizar, vale transcrever a célebre frase, atribuída por muitos a Carlos Drummond de Andrade: “Escrever é a arte de cortar palavras.”. Saberemos quais cortar apenas se soubermos quais usar.

Publicado por SouSegura

 

1 LAMARE, Maria Cristina de Figueiredo de. A Disseminação e o Uso da Informação na Residência Médica nos Hospitais Municipais do Rio de Janeiro. Projeto apresentado ao Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Informação Científica e Tecnológica em Saúde. Orientadores: Maria Cristina Soares Guimarães e Ilma Hrsth Noronha. Dez 2010, Rio de Janeiro.
2 O uso desse adjetivo foi intencional. Disponível em https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/15193/2/M%C2%AA%20Cristina%20de%20Figueiredo%20de%20Lamare%20_%20aprov%20revisado%20OK%20%281%29.pdf

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